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domingo, 7 de dezembro de 2008

Hora da poesia

NÃO DEIXE O AMOR PASSAR Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida. Se os olhares se cruzarem e, neste momento,houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu. Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d’água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês. Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente: O Amor. Por isso, preste atenção nos sinais - não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: O AMOR. Carlos drumond de andrade

domingo, 30 de novembro de 2008

Hora da poesia

CANÇÃO DO BOÊMIO - Castro Alves

Que noite fria! Na deserta rua Tremem de medo os lampiões sombrios. Densa garoa faz fumar a lua, Ladram de tédio vinte cães vadios.

Nini formosa! por que assim fugiste? Embalde o tempo à tua espera conto. Não vês, não vês?… Meu coração é triste Como um calouro quando leva ponto.

A passos largos eu percorro a sala Fumo um cigarro, que filei na escola… Tudo no quarto de Nini me fala Embalde fumo… tudo aqui me amola.

Diz-me o relógio cinicando a um canto “Onde está ela que não veio ainda?” Diz-me a poltrona “por que tardas tanto? Quero aquecer-te, rapariga linda.”

Em vão a luz da crepitante vela De Hugo clareia uma canção ardente; Tens um idílio — em tua fronte bela… Um ditirambo — no teu seio quente…

Pego o compêndio… inspiração sublime P’ra adormecer… inquietações tamanhas… Violei à noite o domicílio, ó crime! Onde dormia uma nação… de aranhas…

Morrer de frio quando o peito é brasa… Quando a paixão no coração se aninha!?… Vós todos, todos, que dormis em casa, Dizei se há dor, que se compare à minha!…

Nini! o horror deste sofrer pungente Só teu sorriso neste mundo acalma… Vem aquecer-me em teu olhar ardente… Nini! tu és o cache-nez dest’alma.

Deus do Boêmio?… São da mesma raça As andorinhas e o meu anjo louro… Fogem de mim se a primavera passa Se já nos campos não há flores de ouro…

E tu fugiste, pressentindo o inverno. Mensal inverno do viver boêmio… Sem te lembrar que por um riso terno Mesmo eu tomara a primavera a prêmio…

No entanto ainda do Xerez fogoso Duas garrafas guardo ali… Que minas! Além de um lado o violão saudoso Guarda no seio inspirações divinas…

Se tu viesses… de meus lábios tristes Rompera o canto… Que esperança inglória… Ela esqueceu o que jurar lhe vistes Ó Paulicéia, ó Ponte-grande, ó Glória!…

Batem!… que vejo! Ei-la afinal comigo… Foram-se as trevas… fabricou-se a luz… Nini! pequei… dá me exemplar castigo! Sejam teus braços… do martírio a cruz!…

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

carpe diem!

do escrivaninha 32 Não tente compreender o místico sentido da vida. O sentido quem dá somos nós então apenas olhe-a e viva. Carpe diem quam minimum credula postero. Não faça de sua vida um fruto proibido que nunca será provado, que nunca será colhido. Colha-o antes da tempestade que pode chegar amanhã ou depois, não se sabe. Beba mais um gole antes que a vida evapore sem ao menos ter sentido o doce gosto que ela tem. “Gather your rosebuds while you may” Não espere o inverno chegar para só então ver o outono passar. Venha, vamos sair. Sair para ver o mundo e cantar o dia inteiro como se este fosse o último. Beba o último gole do doce vinho da vida o som do pôr do sol antes da última despedida. Vamos colher nossos botões de rosas enquanto o vento não os leva embora.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Hora da poesia

VERSOS ESCRITOS N’ÁGUA - Manuel Bandeira

Os poucos versos que aí vão, Em lugar de outros é que os ponho. Tu que me lês, deixo ao teu sonho Imaginar como serão.

Neles porás tua tristeza Ou bem teu júbilo, e, talvez, Lhes acharás, tu que me lês, Alguma sombra de beleza…

Quem os ouviu não os amou. Meus pobres versos comovidos! Por isso fiquem esquecidos Onde o mau vento os atirou.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Poesias

VIA LÁCTEA - Olavo Bilac

Ora (direis) ouvir estrelas! Certo Perdeste o senso!” Eu vos direi, no entanto, Que, para ouvi-las, muita vez desperto E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda a noite, enquanto A vida láctea, como um pálio aberto, Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, Inda as procura pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo! Que conversas com elas? Que sentido Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas.

domingo, 23 de novembro de 2008

Lapa de quengo-marco di aurélio (poesia)

para ler essa ótima poesia saiba mais(ou se não sabe descubra!) sobre lampião neste link
SERTÃO DE POUCOS

Quem diria dizer saber andar dirá que o sertão é sertão em seu inteiro.

Quem foge constrói caminhos. Descobre brenhas que depois de vistas viram apenas rastros para criaturas de faro dentro de fardas vestes mandadas balas vestidas de cano comida que não vem e soldo à espera.

Lampião vivia morrendo morria vivendo e a descobrir vivia.

O descoberto estava morto caminho sem serventia depois de feito desgovernado depois de visto abandonado de novo uso.

Lampião gastou o sertão que ninguém melhor conhece e eu queria.

Poesia nunca morre

Texto de lorena silva do blog lugar de leveza A poesia morreu, mas esqueceram de avisar o poeta. Todos os dias ele continuava a versar, a rimar. Sempre com sua folha de papel e caneta. Apesar de todo o aparato tecnológico daqueles tempos. Era o único a possuir livros, muito raros naquele tempo de muita correria e tecnologia. Tudo era lido nos smartphones, palmtops, laptops e outras coisas que ele nem sabia o nome. Havia em outra época publicado um livro de poemas e contos, mas nada vendeu porque ninguém já nem ligava pros escritos de ninguém. A língua estava mudada, os diálogos com palavras cada vez mais reduzidas e incompreensíveis. Ficava horas escutando conversas na rua sem entender nada. Não via mais arte. Não haviam exposições, ou shows. Aqui ou acolá os jovens se reuniam em um ambiente escuro, fumacento e começavam a chacoalhar-se ao som de barulhos estridentes. Não via ninguém mais olhar o pôr-do-sol. Todos trabalhavam até tarde e a atmosfera estava cada vez mais carregada. No fim de semana não havia mais praia, caranguejo. Só ele não via que a poesia morrera, que a poesia de cada dia, do amanhecer e das flores a florescer. A poesia do jogo de bola na rua, a poesia da lua cheia. E ele continuava a rimar, lembrava de um tempo distante. E riscava na folha: Poesia nuca morre Enquanto bater um coração A poesia é troço forte Traz alvoroço e mansidão A tecnologia tudo engole Tragou os livros e os cantores Mas sempre haverá um poeta A falar de dores e amores

sábado, 22 de novembro de 2008

Hora da poesia

LAPA - Nei Leandro de Castro

O bonde passa pelo espinhaço dos arcos. Mas não é o seu peso que esmaga a prostituta lírica que procura nas cores do ruge e do batom a feérie da Lapa onde ela estreou numa noite mágica que ainda hoje é o que detém a sua mão de dedos crispados nos gumes da gilete.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

A incrivél postagem número 200!

to estreando aqui a postagem número 200 e irei estreá-la com uma charge que o povo sempre comenta em charges -.- e uma poesia também que foi tirada de um ótimo blog o blog do luiz berto jornal da besta fubana 226.jpg E também uma poesia:
CREPÚSCULO SERTANEJO - Castro Alves

A tarde morria! Nas águas barrentas As sombras das margens deitavam-se longas; Na esguia atalaia das árvores secas Ouvia-se um triste chorar de arapongas.

A tarde morria! Dos ramos, das lascas, Das pedras, do líquen, das heras, dos cardos, As trevas rasteiras com o ventre por terra Saíam, quais negros, cruéis leopardos.

A tarde morria! Mas funda nas águas Lavava-se a galha do escuro ingazeiro… Ao fresco arrepio dos ventos cortantes Em músico estalo rangia o coqueiro.

Sussurro profundo! Marulho gigante! Talvez um — silêncio!… Talvez uma — orquestra… Da folha, do cálix, das asas, do inseto… Do átomo — à estrela… do verme — à floresta!…

As garças metiam o bico vermelho Por baixo das asas, — da brisa ao açoite—; E a terra na vaga de azul do infinito Cobria a cabeça co’as penas da noite!

Somente por vezes, dos jungles das bordas Dos golfos enormes, daquela paragem, Erguia a cabeça surpreso, inquieto, Coberto de limos — um touro selvagem.

Então as marrecas, em torno boiando, O vôo encurvavam medrosas, à toa… E o tímido bando pedindo outras praias Passava gritando por sobre a canoa!…

Poesias...

Preciso fogo para aquecer-me Que já não tenho as minhas carnes Em vez de pão, pra minha fome Me deram laço, para o meu corpo Mais não não choro, não não lamento, O óleo não constroi O meu sofrer não dói Depois as plantas nascerão as flores florirão E agora te amará Mesmo quem não te quis jamais!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Hora da poesia

OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO - Carlos Drummond de Andrade Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus. Tempo de absoluta depuração. Tempo em que não se diz mais: meu amor. Porque o amor resultou inútil. E os olhos não choram. E as mãos tecem apenas o rude trabalho. E o coração está seco. Em vão mulheres batem à porta, não abrirás. Ficaste sozinho, a luz apagou-se, Mas na sombra teus olhos resplandecem enormes. És todo certeza, já não sabes sofrer. E nada esperas de teus amigos. Pouco importa venha a velhice, que é a velhice? Teus ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança. As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios provam apenas que a vida prossegue e nem todos se libertaram ainda. Alguns, achando bárbaro o espetáculo, prefeririam (os delicados) morrer. Chegou um tempo em que não adianta morrer. Chegou um tempo em que a vida é uma ordem. A vida apenas, sem mistificação.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Poesias...

OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO - Carlos Drummond de Andrade Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus. Tempo de absoluta depuração. Tempo em que não se diz mais: meu amor. Porque o amor resultou inútil. E os olhos não choram. E as mãos tecem apenas o rude trabalho. E o coração está seco. Em vão mulheres batem à porta, não abrirás. Ficaste sozinho, a luz apagou-se, Mas na sombra teus olhos resplandecem enormes. És todo certeza, já não sabes sofrer. E nada esperas de teus amigos. Pouco importa venha a velhice, que é a velhice? Teus ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança. As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios provam apenas que a vida prossegue e nem todos se libertaram ainda. Alguns, achando bárbaro o espetáculo, prefeririam (os delicados) morrer. Chegou um tempo em que não adianta morrer. Chegou um tempo em que a vida é uma ordem. A vida apenas, sem mistificação.

domingo, 16 de novembro de 2008

Poesias e biografias

TESTAMENTO - ALDA LARA À prostituta mais nova do bairro mais velho e escuro, deixo os meus brincos, lavrados em cristal, límpido e puro … E àquela virgem esquecida rapariga sem ternura, sonhando algures uma lenda, deixo o meu vestido branco, o meu vestido de noiva, todo tecido de renda… Este meu rosário antigo ofereço-o àquele amigo que não acredita em Deus… E os livros, rosários meus das contas de outro sofrer, são para os homens humildes, que nunca souberam ler. Quanto aos meus poemas loucos, esses, que são de dor sincera e desordenada… esses, que são de esperança, desesperada mas firme, deixo-os a ti, meu amor… para que, na paz da hora, em que a minha alma venha beijar de longe os teus olhos, vás por essa noite fora… Com passos feitos de lua, oferecê-los às crianças que encontrares em cada rua… *********************** ALDA LARA - Alda Ferreira Pires Barreto de Lara Albuquerque nasceu em Benguela, Angola, em 9 de junho de 1930 - Morreu em Cambambe, Angola, em 30 de janeiro de 1962). Era casada com o escritor Orlando Albuquerque. Muito nova veio foi Lisboa onde concluíu o 7º ano dos liceus. Frequentou as Faculdades de Medicina de Lisboa e Coimbra, licenciando-se por esta última. Em Lisboa esteve ligada a algumas das atividades da Casa dos Estudantes do Império. Declamadora, chamou a atenção para os poetas africanos. Depois da sua morte, a Câmara Municipal de Sá da Bandeira instituiu o Prémio Alda Lara para poesia. Orlando Albuquerque propôs-se editar-lhe postumamente toda a obra e nesse caminho reuniu e publicou já um volume de poesias e um caderno de contos. Colaborou em alguns jornais ou revistas, incluindo a Mensagem (CEI). Figura em: Antologia de poesias angolanas,Nova Lisboa, 1958 entre outros trabalhos.(Colaboração do colunista Goiano Horta)

sábado, 15 de novembro de 2008

Bom dia Leitores!

NATAL DO PAPAI NOEL - MARIA BRAGA HORTA É Natal. paz no céu. Na terra o amor. Ele, somente, que é da vida aborto, nunca teve um sapato para pôr atrás da porta, a mendigar conforto. É apenas o Natal que o faz supor que se conserte um pau nascido torto, que se torne Ilmº Sr., se nunca teve onde cair mais morto. Será sempre o que foi noutros natais: seu retrato estampado nos jornais com botas de verniz, brilhantes fatos. Papai Noel de loja de calçados cuja beleza e custo são vedados a quem, como ele, nunca usou sapatos.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Poesias...

" Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma Até quando o corpo pede um pouco mais de alma A vida não para Enquanto o tempo acelera e pede preça Eu me recuso faço hora vou na valsa A vida tão rara Enquanto todo mundo espera a cura do mal E a loucura finge que isso tudo é normal Eu finjo ter paciência O mundo vai girando cada vez mais veloz A gente espera do mundo e o mundo espera de nós Um pouco mais de paciência Será que é o tempo que me falta pra perceber Será que temos esse tempo pra perder E quem quer saber A vida é tão rara Eu sei, a vida não para. "

Bom fim de semana

CANÇÃO DE OUTONO Perdoa-me, folha seca, não posso cuidar de ti. Vim para amar neste mundo, e até do amor me perdi. De que serviu tecer flores pelas areias do chão, se havia gente dormindo sobre o própro coração? E não pude levantá-la! Choro pelo que não fiz. E pela minha fraqueza é que sou triste e infeliz. Perdoa-me, folha seca! Meus olhos sem força estão velando e rogando áqueles que não se levantarão... Tu és a folha de outono voante pelo jardim. Deixo-te a minha saudade - a melhor parte de mim. Certa de que tudo é vão. Que tudo é menos que o vento, menos que as folhas do chão... Cecília Meireles

A amizade

Ter amigos é não ter silêncios, é espelhar-se na dimensão do mar e encontrar a paz do crepúsculo, na poesia constante e fiel do fascinar. É sempre a presença ainda que distante e nos momentos de asfixia, o ar, a luz que ilumina as brancas trevas do caminho, é não sentir-se na pior solidão sozinho. De repente, amigo é um riso calmo, a lágrima companheira da estrada dor e sem dúvidas tradutor em pensamentos, do mais ouro amor.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Hora da poesia

TESTAMENTO - Manuel Bandeira O que não tenho e desejo É que melhor me enriquece. Tive uns dinheiros — perdi-os… Tive amores — esqueci-os. Mas no maior desespero Rezei: ganhei essa prece. Vi terras da minha terra. Por outras terras andei. Mas o que ficou marcado No meu olhar fatigado, Foram terras que inventei. Gosto muito de crianças: Não tive um filho de meu. Um filho!… Não foi de jeito… Mas trago dentro do peito Meu filho que não nasceu. Criou-me, desde eu menino, Para arquiteto meu pai. Foi-se-me um dia a saúde… Fiz-me arquiteto? Não pude! Sou poeta menor, perdoai! Não faço versos de guerra. Não faço porque não sei. Mas num torpedo-suicida Darei de bom grado a vida Na luta em que não lutei!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

poesias...

UM AMOR NA ZONA DA RIBEIRA - Nei Leandro de Castro

Um amor de prostituta nos quatro cantos do quarto, é uma tragédia grega em decadente teatro. Segunda-feira, ela banha o sol e a lua com mel, na terça, oferece a bunda, trancelim, relógio, anel. Na quarta, sente ciúmes, maldiz a vida e a sorte. Na quinta, volta o ciúme agora muito mais forte. Na sexta, toma um pileque rasga a roupa, desgrenhada. No sábado, você foge, e não quer vê-la por nada. No domingo, ela se rasga com gilete enferrujada.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

poesias

“Sou bravo, sou forte; Não temo da Morte” E na dura investida Já tenho vencida Metade da guerra. Em meio a metralha Que a morte espalha, Eu sinto que a Terra É uma grande fornalha. Gemidos sem fim Se ouvem ao redor; Os trago de cor Bem dentro de mim. Nas valas, lamentos Que os combates sangrentos Fizeram surgir. Soldados feridos Que perdem os sentidos, Desejo e não posso, Não posso acudir. Se mil pensamentos Se mesclam aos lamentos, Que faço, que urdo, Se estou quase surdo C’oa metralha que cruza, Que conduz os desejos A um Céu que não vejo? Ai, Mãe, o teu filho É um pobre andarilho Nos campos de Marte. A metralha cessou, E o que dela restou Ë teu filho que parte. Sangrando , ferido, Febril e sedento, Morre o rebento Que tanto te adora. Quizera o guerreiro Dar o derradeiro Abraço à Senhora. Não chora, Mamãe, Esquece o desejo De dar-me teu beijo. De ser defensor Como nobre infante Esta guerra infamante Valeu-me o ensejo. Se morre um valente, Um instante somente A alma nos dói, Pois a Pátria agradece A quem lhe oferece Um filho herói. Numa estrada de luz, Um soldado conduz A legião da Vitória. E teu filho, Mãezinha, A frente caminha Para o Reino da Glória. "O Caminho do Guerreiro é a aceitação resoluta da morte"

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