domingo, 7 de dezembro de 2008
Hora da poesia
domingo, 30 de novembro de 2008
Hora da poesia
Que noite fria! Na deserta rua Tremem de medo os lampiões sombrios. Densa garoa faz fumar a lua, Ladram de tédio vinte cães vadios.
Nini formosa! por que assim fugiste? Embalde o tempo à tua espera conto. Não vês, não vês?… Meu coração é triste Como um calouro quando leva ponto.
A passos largos eu percorro a sala Fumo um cigarro, que filei na escola… Tudo no quarto de Nini me fala Embalde fumo… tudo aqui me amola.
Diz-me o relógio cinicando a um canto “Onde está ela que não veio ainda?” Diz-me a poltrona “por que tardas tanto? Quero aquecer-te, rapariga linda.”
Em vão a luz da crepitante vela De Hugo clareia uma canção ardente; Tens um idílio — em tua fronte bela… Um ditirambo — no teu seio quente…
Pego o compêndio… inspiração sublime P’ra adormecer… inquietações tamanhas… Violei à noite o domicílio, ó crime! Onde dormia uma nação… de aranhas…
Morrer de frio quando o peito é brasa… Quando a paixão no coração se aninha!?… Vós todos, todos, que dormis em casa, Dizei se há dor, que se compare à minha!…
Nini! o horror deste sofrer pungente Só teu sorriso neste mundo acalma… Vem aquecer-me em teu olhar ardente… Nini! tu és o cache-nez dest’alma.
Deus do Boêmio?… São da mesma raça As andorinhas e o meu anjo louro… Fogem de mim se a primavera passa Se já nos campos não há flores de ouro…
E tu fugiste, pressentindo o inverno. Mensal inverno do viver boêmio… Sem te lembrar que por um riso terno Mesmo eu tomara a primavera a prêmio…
No entanto ainda do Xerez fogoso Duas garrafas guardo ali… Que minas! Além de um lado o violão saudoso Guarda no seio inspirações divinas…
Se tu viesses… de meus lábios tristes Rompera o canto… Que esperança inglória… Ela esqueceu o que jurar lhe vistes Ó Paulicéia, ó Ponte-grande, ó Glória!…
Batem!… que vejo! Ei-la afinal comigo… Foram-se as trevas… fabricou-se a luz… Nini! pequei… dá me exemplar castigo! Sejam teus braços… do martírio a cruz!…sexta-feira, 28 de novembro de 2008
carpe diem!
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Hora da poesia
Os poucos versos que aí vão, Em lugar de outros é que os ponho. Tu que me lês, deixo ao teu sonho Imaginar como serão.
Neles porás tua tristeza Ou bem teu júbilo, e, talvez, Lhes acharás, tu que me lês, Alguma sombra de beleza…
Quem os ouviu não os amou. Meus pobres versos comovidos! Por isso fiquem esquecidos Onde o mau vento os atirou.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Poesias
Ora (direis) ouvir estrelas! Certo Perdeste o senso!” Eu vos direi, no entanto, Que, para ouvi-las, muita vez desperto E abro as janelas, pálido de espanto…
E conversamos toda a noite, enquanto A vida láctea, como um pálio aberto, Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, Inda as procura pelo céu deserto.
Direis agora: “Tresloucado amigo! Que conversas com elas? Que sentido Tem o que dizem, quando estão contigo?”
E eu vos direi: “Amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas.
domingo, 23 de novembro de 2008
Lapa de quengo-marco di aurélio (poesia)
Quem diria dizer saber andar dirá que o sertão é sertão em seu inteiro.
Quem foge constrói caminhos. Descobre brenhas que depois de vistas viram apenas rastros para criaturas de faro dentro de fardas vestes mandadas balas vestidas de cano comida que não vem e soldo à espera.
Lampião vivia morrendo morria vivendo e a descobrir vivia.
O descoberto estava morto caminho sem serventia depois de feito desgovernado depois de visto abandonado de novo uso.
Lampião gastou o sertão que ninguém melhor conhece e eu queria.
Poesia nunca morre
A poesia morreu, mas esqueceram de avisar o poeta. Todos os dias ele continuava a versar, a rimar. Sempre com sua folha de papel e caneta. Apesar de todo o aparato tecnológico daqueles tempos. Era o único a possuir livros, muito raros naquele tempo de muita correria e tecnologia. Tudo era lido nos smartphones, palmtops, laptops e outras coisas que ele nem sabia o nome. Havia em outra época publicado um livro de poemas e contos, mas nada vendeu porque ninguém já nem ligava pros escritos de ninguém. A língua estava mudada, os diálogos com palavras cada vez mais reduzidas e incompreensíveis. Ficava horas escutando conversas na rua sem entender nada. Não via mais arte. Não haviam exposições, ou shows. Aqui ou acolá os jovens se reuniam em um ambiente escuro, fumacento e começavam a chacoalhar-se ao som de barulhos estridentes. Não via ninguém mais olhar o pôr-do-sol. Todos trabalhavam até tarde e a atmosfera estava cada vez mais carregada. No fim de semana não havia mais praia, caranguejo.
Só ele não via que a poesia morrera, que a poesia de cada dia, do amanhecer e das flores a florescer. A poesia do jogo de bola na rua, a poesia da lua cheia. E ele continuava a rimar, lembrava de um tempo distante. E riscava na folha:
Poesia nuca morre
Enquanto bater um coração
A poesia é troço forte
Traz alvoroço e mansidão
A tecnologia tudo engole
Tragou os livros e os cantores
Mas sempre haverá um poeta
A falar de dores e amores
sábado, 22 de novembro de 2008
Hora da poesia
O bonde passa pelo espinhaço dos arcos. Mas não é o seu peso que esmaga a prostituta lírica que procura nas cores do ruge e do batom a feérie da Lapa onde ela estreou numa noite mágica que ainda hoje é o que detém a sua mão de dedos crispados nos gumes da gilete.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
A incrivél postagem número 200!
A tarde morria! Nas águas barrentas As sombras das margens deitavam-se longas; Na esguia atalaia das árvores secas Ouvia-se um triste chorar de arapongas.
A tarde morria! Dos ramos, das lascas, Das pedras, do líquen, das heras, dos cardos, As trevas rasteiras com o ventre por terra Saíam, quais negros, cruéis leopardos.
A tarde morria! Mas funda nas águas Lavava-se a galha do escuro ingazeiro… Ao fresco arrepio dos ventos cortantes Em músico estalo rangia o coqueiro.
Sussurro profundo! Marulho gigante! Talvez um — silêncio!… Talvez uma — orquestra… Da folha, do cálix, das asas, do inseto… Do átomo — à estrela… do verme — à floresta!…
As garças metiam o bico vermelho Por baixo das asas, — da brisa ao açoite—; E a terra na vaga de azul do infinito Cobria a cabeça co’as penas da noite!
Somente por vezes, dos jungles das bordas Dos golfos enormes, daquela paragem, Erguia a cabeça surpreso, inquieto, Coberto de limos — um touro selvagem.
Então as marrecas, em torno boiando, O vôo encurvavam medrosas, à toa… E o tímido bando pedindo outras praias Passava gritando por sobre a canoa!…
Poesias...
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Hora da poesia
OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO - Carlos Drummond de Andrade Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus. Tempo de absoluta depuração. Tempo em que não se diz mais: meu amor. Porque o amor resultou inútil. E os olhos não choram. E as mãos tecem apenas o rude trabalho. E o coração está seco. Em vão mulheres batem à porta, não abrirás. Ficaste sozinho, a luz apagou-se, Mas na sombra teus olhos resplandecem enormes. És todo certeza, já não sabes sofrer. E nada esperas de teus amigos. Pouco importa venha a velhice, que é a velhice? Teus ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança. As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios provam apenas que a vida prossegue e nem todos se libertaram ainda. Alguns, achando bárbaro o espetáculo, prefeririam (os delicados) morrer. Chegou um tempo em que não adianta morrer. Chegou um tempo em que a vida é uma ordem. A vida apenas, sem mistificação.
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Poesias...
domingo, 16 de novembro de 2008
Poesias e biografias
sábado, 15 de novembro de 2008
Bom dia Leitores!
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Poesias...
Bom fim de semana
A amizade
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Hora da poesia
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
poesias...
Um amor de prostituta nos quatro cantos do quarto, é uma tragédia grega em decadente teatro. Segunda-feira, ela banha o sol e a lua com mel, na terça, oferece a bunda, trancelim, relógio, anel. Na quarta, sente ciúmes, maldiz a vida e a sorte. Na quinta, volta o ciúme agora muito mais forte. Na sexta, toma um pileque rasga a roupa, desgrenhada. No sábado, você foge, e não quer vê-la por nada. No domingo, ela se rasga com gilete enferrujada.





